A noite sem lua, a brisa sem vento, a casa devoluta …

O silêncio se fez presente e, uma certa nostalgia a minha aliada. De pés desnudados, silenciosos e, vagarosos encaminhei-me para o meu quarto. Sentei na “senhoria” e, trajei os meus ombros por uma ténue manta que cobriu os meus ombros nus.
Na mesinha do meu lado, a luz que emanava do candeeiro aceso, proporcionava-me um ambiente aconchegado e, apetecido. Por cima, o livro que nos últimos dias fiel e, assíduo privava da minha companhia. Peguei-o e, recomecei a leitura.
Lentamente, e, vagarosamente letras e, palavras desfilavam perante o meu olhar, o fascínio e, o prazer engrandecia-se á medida que a minha atenção concentrava-se na sua leitura. Aprecio os instantes e, momentos em que solitária entrego-me de alma à leitura.
Horas mais tarde o silêncio foi quebrado por ténues gargalhadas que audíveis no corredor cessaram o momento privado. Pela porta da entrada do meu quarto, rostos risonhos e, timbres de vozes joviais encetaram uma invasão tumultuada.
Sorri com o alvoroço que se adivinhava.
Animados, desinquietos, balbuciavam palavras amotinadas, imperceptíveis de entendimento, e, ao meu olhar incrédulo a sensatez se fez notada. Depois a nossa conversação fluiu dengosamente por entre os desejos e, acções que os dois partilhavam. De vez em quando, o olhar atento e, observador de cada um deles deixavam adivinhar a ansiedade e, temor da réplica das minhas palavras.
O meu pensamento, ausentou-se … Relembrei na minha adolescência dos estados empolgados, e, ansiosos quando ambicionava algo e, o receio que detinha que não fossem atendíveis. Por vezes, cerrava os olhos, apertava as mãos nervosas, agitadas e, suplicava interiormente que a resposta fosse a esperada.
Um timbre de voz, subitamente elevado, trouxe-me de novo à realidade. Observei-os, detalhadamente e, longamente aos dois. Seus rostos expectantes de olhar penetrantes, francos encararam os meus e, pelos meus lábios entreabertos, num timbre de voz firme o sim foi o prenunciado.
Gargalhadas, risos, afectos de carinho e, amor exteriorizadas.
Instantes depois, desacompanhada, cerrei a luz, e, vagarosamente deitei-me no meu leito. O manto que cobria o meu corpo e, a minha alma era de textura serena e, delicada. Cerrei os olhos, aconcheguei o rosto nas almofadas e, de postura de lado aguardei o instante de encetar o sono tranquilamente.
Ao longe escutava, tenuemente, os mesmos timbres de vozes joviais que anteviam os preparativos do desejo concedido. Um dócil sorriso nos meus lábios adornou o meu semblante e, conduziu-me ao sono principiante.

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