quinta-feira, 9 de março de 2017

Possuo



sentimentos sombrios e negritos,  irrequietos e desassossegados, confortados e aconchegados nos meus sentidos, impressos e gravados no meu corpo, trancados e oclusos na minha alma observando o instante ousado e destemido de desnudá-los !

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ela retornou

… há alguns dias e indisciplinarmente tem permanecido comigo.

Arrogante, provocadora, atrevida e irrequieta tem-me observado, longamente, roçando o meu corpo, tocando a minha alma e invadindo a minha mente, ininterruptamente.

Ela não sabe -  talvez o sinta - que sinto-me horrivelmente cansada, e possuída por puro descontentamento.

Tem vezes que lhe volto o corpo, cerro os olhos e aconchego-me sofregamente e desesperadamente ansiando, rezando que a sua presença se canse, se apieda e se abale para longe de mim.  No entanto a sua postura tem sido continuamente a mesma. Do cimo da sua altivez, malvadez e insensatez, sorri, ri e gargalha descaradamente, acomodando-se muito confortavelmente do meu lado por um tempo indefinido e sobejamente indesejável.

Esta noite, porém, enfrentei-a.

Desrespeitei o local que se tornou no nosso encontro habitual. Não encetei a entrada no meu leito  na hora habitualmente destinada acomodei-me no sofá da minha sala, peguei o meu livro que jazia na mesinha da minha sala – Jodi Picoult, Tempo de Amar - e iniciei uma leitura apetecida.

Longos momentos depois, continuava a sentí-la, perigosamente, próxima. O seu aroma desagradável de textura irritável e desassossegada mas mesmo assim não me atemorizei. Desnudei os meus pés, elevei-os à altura do meu sofá, estendi o meu corpo cansado, cobri-me com a minha manta axadrezada e retomei a leitura apetecível onde anteriormente interrompi. Não me recordo por quanto tempo, creio que o necessário para ela se sentir ignorada, dolente e desistir de acercar-se de mim (...) Adormeci, placidamente.

Pela manhã, despertei vagarosamente e denotei que o meu corpo trajava-se descansado, a minha alma desnudava-se revigorada e a minha mente pintava-se rejuvenescida.

Sorri.

Finalmente, esta noite usufruí de uma noite solitária, sem a insónia se acercando de mim.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Eu te peço ...


(...) não te apegues no meu silêncio, por favor.

Sabes?!

Por vezes ele só espera alguém que o entenda (...). Apreenda a feição do seu débil rosto, o vazio do seu olhar, a estagnação dos seus lábios, o silêncio fracturado da sua voz e o dolorido da sua alma.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Quem a observa


(...) não vê o que o seu coraçãozinho débil encerra. Quem a vê sorrir não imagina o tanto e o que já superou. Quem escuta o seu timbre de voz calmo e baixo não consegue prever os gritos alucinantes  no seu passado.

Por isso, ela sorri e todos os dias se reveste de persistindo a cada desilusão, cada tombo e cada comoção ruim. 

A textura que reveste a sua pele é débil de coloração rosada mas ousada. O seu olhar é camaleão. Negro e sombrio nos dias de nevoeiro cerrado e de coloração clara no dia ensolarado. Ela tenta vencer os fantasmas do seu passado, desfrutar da companhia dos que privam com ela todos os dias, e que apaixonam a sua vida e por isso ela refugia-se no optimismo,  na esperança e no bem-querer e por acreditar, a cada dia que passa ela quer e exige sempre mais (...) mais companhia, mais compreensão, mais tolerância, mais aprendizagem, mais carinho, mais ternura, mais amor, mais diálogo, mais essência e mais serenidade porque afinal ela brinca de ser menina grande mas a sua essência é de uma mulher gigante (...). 

 eu (...)


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Catorze de Janeiro

(...) do ano de dois mil e dezasseis é a data comemorativa do teu aniversário e é o dia em que semelhantemente quero retratar um dos bens mais valiosos que possuímos e que nomeamos de amizade. 

Os segundos, os minutos, as horas que transformam-se em dias, os dias em semanas, semanas em meses, meses em anos em que usufruímos do privilégio e da dádiva de possuir em nossa vida uma presença imprescindível, portadora de uma "beleza" rara e em que a reciprocidade é o deleite desejado na amizade inabalável e detentora por um respeito mútuo interminável.

Hoje assemelho a nossa amizade a uma linda e inebriante rosa !

Houve instantes e momentos na nossa vida trajados por odores de lindíssimas rosas que adornaram o prazer  da nossa presença, embelezaram os festejos de alegria e felicidade, despertaram sorrisos e gargalhadas em nossos lábios e em que a cumplicidade foi sempre o mote desejado.  E, reversamente, houve  momentos de  coloração preta e cinzenta que assemelhou-se a espinhos que debilitaram o nosso órgão pequenino e vermelhinho que repousa  no lado esquerdo do nosso peito - o coração -. No entanto, ousadamente a nossa amizade  cuida, aconchega e, mima-o carinhosamente, ternamente para que a cada dia que passa a dor se amenize, esvaeça e, os nossos coraçãozinhos se fortaleçam e vivam, intensamente (...).

Sabes, Princezinha?!

 "Qualquer um pode amar uma rosa mas é preciso um grande coração para incluir os espinhos."

E, os nossos "corações" têm uma dimensão imensurável. Por isso quero que o aroma inebriante das rosas continuem a aromatizar a nossa linda, profunda, intensa e indestrutível amizade e que o dia de hoje seja o culminar de uma extensa felicidade na celebração da tua data de aniversário.

Feliz aniversário, Princezinha!
Adoro-te, hoje e sempre !

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os recentes atentados em Paris

(...) esmorecem a paz, tranquilidade e serenidade que tanto aprecio. Detenho-me na incapacidade que sinto no seu entendimento e perco-me neste estado de letargia que sinto.

Sinto-me dilacerada, oca e vazia.

Sinto-me consumida pelas vidas abruptamente perdidas, das vitimas em vida que se dilaceram de dor pelos seus familiares e ou amigos perdidos.

Sinto-me pobre. Sobram-me palavras e ou ausências de elas. 

Pobre de adjectivos para qualificar hedionda chacina, despejada de compreensão e repleta de palavras que traduzo em nauseamento, rebeldia e insubmissão mas também sinto-me sem fraqueza. Comungo da fé, da temeridade, da ousadia e  animo no anseio, no desejo, no querer em viver e habitar este mundo, sem temor e ou receio.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pedacinhos de Mim - III


Gosto de simplicidade e de solidão.

De pessoas autênticas e genuínas.

Gosto de olhares frontais e abomino os olhares sorrateiros e desleais. Gosto do timbre de vozes sussurrantes e não suporto vozes gritantes. Gosto de gestos inesperados e não aprecio acções espetáveis. Gosto da surpresa não anunciada e receio, sempre, a surpresa esperada.

Gosto do toque ! Toque de pele, toque de alma, toque de olhar e toque leve.

Gosto de saudações e de cumprimentos falados e ou vislumbrados na união de duas mãos à elevação do peito ou das mãos veemente apertadas, às mãos de leveza tocadas. Gosto de carinhos e aconchego nas horas felizes e nas horas angustiadas. Gosto da afabilidade, cortesia, delicadeza e não gosto de deselegância, frigidez e ou deferência. Gosto das palavras que ferem e são verdadeiras às palavras zelosas e traiçoeiras. Gosto analogamente de palavras de odores subtis e adocicadas no reverso do amargo de palavras de aromas desagradáveis e avinagrados. Gosto de sorrisos, risos e gargalhadas e não suporto as lágrimas derramadas que por vezes teimam em não me largar e ou ofertar.

Não gosto de pessoas derrotadas. Gosto de pessoas guerreiras e lutadoras que ultrapassam os obstáculos e ou os contornam com ousadia fazendo da sua vida um exemplo a seguir. Gosto da humildade de quem precisa apenas de um sorriso para ser feliz. Gosto da solidariedade de quem oferta o melhor de si em prol do bem estar de um qualquer nosso semelhante. Gosto da cumplicidade e sinto-me desconfortável com o reverso. Gosto de atitudes que revelam sensatez e não gosto de artificialismo. Gosto da maturidade da idade e simultaneamente lisonjeio a idade jovial. Gosto de crianças e de idosos que me brindam com a sua inocência e longa sabedoria.

Gosto de  instantes e momentos de intensidade independentemente da sua durabilidade. Gosto de sonhos e magia. De tiaras e de coroas. Castelos e fortalezas mas não gosto de clausuras e ou ambientes fechados. 

Gosto do dia e da noite.  É a noite que mais me fascina. Da noite estrelada e da sumptuosa rainha - a lua -. Lua cheia, lua nova, quarto crescente e ou minguante, confesso, todas as suas fases encantam-me.

Gosto do ar que respiro, da respiração ofegante e ou serena tantas vezes oscilante e que me identifica. Da intensa ventania, da chuva torrencial e do nevoeiro cerrado. Do frio, do gelo e da neve que se assemelha a longos mantos de branco algoadeiro.

Gosto da natureza árida e da vegetação monocromática. Gosto do mar, do rio, do pântano e de lagos mas não gosto de mergulhar na escuridão. 

Gosto tanto de tanto !... Do que me rodeia, coabita, priva e que são dádivas  que se desnudam inesquecíveis. Gosto de relembrar o quanto gosto do quê, como e de quem porque me faz sentir bem e me faz sorrir relegando para segunda instância quem, o que me magoa e me faz sentir desiludida, triste e, infeliz.

Ah?! E, também gosto muito de mim !

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Detentora de chuva intensa

(...) e ventania, a noite de ontem desnudara-se sombria. No resguardo da sua sala por dentro da extensa vidraça, observava-a detalhadamente.

Sempre gostou de idolatrar a noite.

Ontem, admirava-a acompanhada da sua chávena de chá segura em ambas as mãos e elevando-as de quando em vez aos seus lábios degustando deleitosamente do chá "Príncipe" que  emanava, sossegando, lentamente, o órgão pequenino e palpitante do lado esquerdo do seu peito – o coração –.

Após os recentes acontecimentos lesivos decidira que chegara o instante de se sentir e agir dissemelhantemente. A partir dessa noite iria zelar mais por ela. Iria querer e desejar uma vida consciencializada em quem e o que de facto era importante para ela.

Para esse efeito, consciencializava-se que necessitaria de aprimorar a sua vida desligando-se dos cinismos, maledicências e de insignificâncias, não fazendo caso do que (ação) e de quem a magoara, até então !

Não seria dócil. Não seria fácil. As sequelas não eram visíveis mas eram palpáveis no lado esquerdo do seu peito. Sentia-se triste mas determinada a consertar e costurar o seu débil e ferido coração. Mais tarde, ou mais cedo a sua convicção seria que voltaria a ritmar normalmente, placidamente e usualmente como era seu desejo (...) Até quando ?! Incessantemente ! 

                                                                                                        Não tenho a menor incerteza !

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Namastê

(...) é uma expressão usada no cumprimento e saudação falada no Sul da Ásia.

Define "curvo-me perante ti" e é o molde mais digno e elevado de cumprimento de um ser humano para outro.

Que apego, brandura, quietude, serenidade, ternura e doçura !

Aprecio particularmente,  confesso, quando falado "Namastê", esta seja acompanhada de uma fugaz vénia, terminada com as duas mãos pressionadas juntas, as palmas das mãos tocando-se, os dedos indigitados para cima no centro à elevação do meu peito. 

A palavra e ou o seu gesto desnudam para mim um sentimento imensurável de respeito e, admiração. Semelhantemente, gosto de pensar que invoca o entendimento de que todos os nossos semelhantes partilham do mesmo âmago, do mesmo vigor e do mesmo universo (...) amplo.

Ah?!

Quão poderosa ?! Quão audaz ?! Quanta bravura ! Quanta hombridade ! Quanta beleza ! Quanta harmonia ! Quanta magia, junta !

E, afinal são apenas e só  s e t e letrinhas: N a  ê  que me desnudam e trajam requintadamente a minha alma de encanto !

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Hoje é um dia festivo

celebrando-se um aniversário de nascimento. Um dia que se deseja feliz, sincero e emotivo.

Comemorar o seu aniversário é um prazer e um deleite para todos aqueles que de longe ou de perto privam da sua companhia. Enaltecendo os seus valores, deleitando-se com a sua forma de estar e de ser. Sorrindo, rindo e gargalhando com a sua saudável insânia, imaginação ao rubro, sentido de humor hilariante, beleza, charme e sedução cobiçável, adornos multifacetados que definem o seu carácter e que neste dia felicito.

É de fato um enorme prazer e, renovado !

Por isso, Garoto, nesta data especial quero agradecer-lhe o privilégio que usufruo da sua presença na minha vida. Dos momentos, das palavras, dos sorrisos, risos e gargalhadas que fazem dos nossos instantes indivisos e peculiares. Desejo-lhe um dia  colorido de colorações intensas e avermelhadas, de aromas multifacetados e de iguarias fenomenais. Quando erguer o seu cálice e a melodia de parabéns a você ecoar, distantemente, alguém brindará, semelhantemente, de sorriso nos lábios, felicidade no olhar e dos seus lábios desenhar-se-ão três pequeninas, perfeitas e intensas palavras:

Feliz Aniversário Garoto !

Ana