Por vezes, lembro-me de ti

Falseio.
Não só por vezes, mas, abundantes vezes.

Desperto de um passado amortecido, pareço na pele um estremecimento que se achega de mansinho e, toca levemente a minha alma.

Cerro os olhos. Vejo-te a ti e, a mim.
Um mundo ergue-se nas recordações passadas. O nosso primeiro contacto, o nosso primeiro encontro, o nosso primeiro olhar, o nosso primeiro beijo e, a nossa primeira carícia.

Palavras proferidas, sentidas e, desejadas. Palavras omissas, temerosas e, amedrontadas. Acções previsíveis e, reacções inesperadas.

Desabotoo o olhar e, rememoro o aroma do teu perfume. A coloração do teu traje. O timbre da tua voz. Depois, debruço-me na nossa despedida, nos dias, meses, anos seguintes, a minha pele atenua-se e, a tua lembrança sucumbe adormecida.

Comentários

  1. Oi Ana
    Existem lembranças que nos acompanham por toda vida, fazem parte do nosso relicário de bons momentos.
    Bjux

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  2. ...
    Adormecida, mas não morta. Nem esquecida...
    Apenas em "cura de sono", à espera de ser desperta.
    Passam-se os dias, os meses, os anos, de quando em quando recordando, sem pena nem piedade. Não faço caridadezinha comigo própria. Apenas contraponto!
    Uma oposição suave às reminiscências do passado (ou passados, porque e gente vive e revive muitas vezes).
    Por vezes passo para o papel tudo aquilo que quero esquecer. Deito o papel na fornalha para virar cinza. Mas o fogo que o faz arder, é muito mais fogo em mim, eu dou por mim com lembranças mais quentes, mais próximas, mais próprias, que não há nada que as faça apagar.
    Viraram lava de vulcão à espera de sair pela primeira chaminé que encontrem, ardente, vaporosa, sulfurosa, cáustica e atormentadora.
    E assim, causticadas e tormentosas, as minhas recordações ficam novamente à espera que o magma que existe em mim aqueça ao ponto de explosão, sem notícia prévia ou previsão.
    Uma vez mais o "meu" Vesúvio irá engolir Pompeia.
    Assim, sempre e mais, uma nova epopeia.

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  3. José,
    As suas palavras dactilografadas pela pontinha dos seus dedos revelam requintadamente a essência que possui.

    Neste instante, o sentimento de admiração que adorna o lado esquerdo do meu peito pela sapiência da feição como o José usufruiu do passado é imensurável.

    Agradeço e, sinto-me lisonjeada pelo privilégio que concede-me no ininterrupto prazer da sua presença no meu Ballet de Palavras.

    Ana

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  4. Amo toda essa delicadeza
    em escrever....

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    1. Coelho,
      Lisonjeada e, agradecida pelo seu terno comentário.

      Ana

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